O Outro lado da tristeza

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Diante tantas “pílulas da alegria” denominadas de Fluoxetina, Rivotril, Sertralina, Frontal e etc, esse texto vem fazer uma análise na contramão delas. Não que elas sejam totalmente vilãs e nem suficientemente boas, mas penso que a distribuição indiscriminada de pílulas contra a tristeza, realmente não é algo bom. Aqui devemos separar tristeza e tipos de depressão, dependendo do grau e severidade da depressão o uso de medicamento se faz necessário, pois ela pode nos paralisar e mobilizar diante o fluxo de nossas vidas. Porém, faz parte da vida nos sentirmos melancólicos e tristes, podemos sentir tristeza com a perda de um emprego, com um término de um namoro, com um divórcio ou com a morte de um ente querido. É natural que entremos em momentos de tristeza e a forma como iremos reagir a ela é que irá trazer uma característica patológica ou não.

A função da tristeza

Devemos deixar claro aqui que a depressão não é um momento, ela se caracteriza por diversos sintomas como: baixo nível de energia, alteração do sono, falta de apetite, perda de interesse e motivação entre outros, contudo o que a torna patológica é a persistência da tristeza. No entanto, a tristeza é inerente ao ser humano e possui sua função psíquica.

Muitas vezes, caminhamos com a nossa vida no automático, sem pararmos para analisarmos o que está em nossa volta, principalmente o que está internamente em nós. A tristeza nos obriga a parar e muitas vezes recuar e com isso damos vida a conteúdos que estavam escondidos internamente, conteúdos que não demos o devido valor ou que são extremamente doloridos. Questionamentos podem surgir: o que estou fazendo com a minha vida? A minha vida está da forma que eu desejo? Por que isso esta acontecendo comigo? Qual o significado dessa situação? Eu tenho uma vida de significados? A tristeza permite trazer uma sabedoria que a euforia não corrobora.

A tristeza irá colaborar a fazermos uma reflexão sobre conteúdos que estão reprimidos em nós, a responder possíveis questionamentos suscitados, nos trazendo a possibilidade de assimilação desses conteúdos. Dessa forma, conseguimos ir adiante com mais segurança e certeza do que somos e do que está em nós mesmos.

A busca da eterna felicidade

É ilusório pensar que viveremos uma vida de felicidade constante, pois a vida não é linear e tão pouco planejada. Planejar o futuro é bom, se agarrar nele não. A vida tem seu fluxo próprio e tentar ter o controle absoluto sobre ela é trazer um poder sobre si que não nos pertence e que não damos conta. É desejar e achar que é Deus da própria vida. Uso a palavra Deus, como forma de expressão de onipotência e onipresença sobre tudo o que o cerca e que está relacionado a si.

Esse não é um pensamento pessimista, pelo contrário, a discriminação do pensamento ilusório pela busca de sensações e sentimentos constantes como o da felicidade, da euforia, do poder, da vitória é dar a abertura para diversos tipos de drogas, não somente as consideradas “amenas”, como as “pílulas da felicidade”, mas também as consideradas ilegais, passando pelo álcool, ecstasy, cocaína, heroína e etc.

As pessoas devem buscar ter uma vida intensa, na qual exista significado em tudo Traga significado para os seus relacionamentos, para o seu trabalho, para o seu cotidiano.  Viva o seu presente de maneira significativa. Tenha a abertura necessária para passar pelos seus momentos de tristeza e principalmente ouça o que eles estão a te dizer, pois existem muitos significados escondidos e ignorados através da tristeza presente nesses momentos.

* Por Juliana Bessa Ramos, psicóloga clínica, CRP 06/91940. Atendimento de adolescentes, adultos, idosos, casais e famílias. Especialista em psicoterapia junguiana, IJEP-SP.Consultórios em Vila Mariana SP e São Caetano Do Sul. Contato: julianapsicoramos@gmail.com

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A alegria de sermos quem somos!!!

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A aceitação do que somos é algo muitas vezes dolorido e trabalhoso. O caminhar da nossa vida é sinuoso, pois sempre estaremos em constante mudanças de vivências, experiências e muitas vezes temos dificuldade de nos libertar das amarras que essas mesmas vivências e experiências nos causaram

Jung era um grande estudioso de filosofia sendo Nietzsche um dos seus autores favoritos, em um dos seus textos Nietzsche afirma: “ Três transformações do espírito vos menciono: como o espírito se muda em camelo, e o camelo em leão, e o leão, finalmente, em criança”.

No primeiro momento da vida, absorvemos tudo que está ao nosso redor e agimos de acordo com os pensamentos e convenções dos outros. É a fase do camelo na qual não existem porquês, acumulamos vivências e carregamos o peso de todas elas nos ombros.

O mundo é reduzido a certas certezas que o outro nos impõe e deixamos de lado toda e qualquer ambiguidade encontrada sobre essas. Agimos e somos da maneira que o outro acha que devemos agir e ser, ficamos presos à essa maneira de ser e viver e que não somos nada, mas devemos tudo.

Nos rebelamos, nos revoltamos e entramos no segundo momento da vida, é a fase do leão e com a ferocidade de um leão, recusamos a aceitar tudo que vem do outro, destruímos toda e qualquer norma e convenção. O Leão nos torna corajosos e a partir dele rompemos com vínculos e começamos a querer a liberdade, mas ainda não temos o poder da transformação do nosso interior para acabar com o dever que está gravado em nós mesmos pela sociedade.

É a partir do momento que o leão se desapega de toda imposição e pela sua maturidade e serenidade ele transforma sua rebeldia no seu senso de criação e passa a se apropriar da sua vida, com a leveza de uma criança e com sua pureza e inocência se desfaz de toda e qualquer amarra que foram resquício de sua vida sem questionamentos.

É no estágio de ter a confiança e segurança  necessária para viver a vida com a leveza de uma criança que devemos estar, mas muitas vezes, não transgredimos e nos estagnamos ao nosso próprio mundo, por que não queremos olhar ao redor. Muitas pessoas sentem dificuldade de passar de um estágio para o outro. Através dessa metáfora de Nietzsche podemos nos questionar, em que estágio nos encontramos? Somos camelos de uma sociedade cruel, que nos rotula e nos oprime? Somos leões que age por instinto e não racionaliza qualquer ação? Ou somos crianças puras, que não guarda amarras, absorve ou esquece facilmente e brinca com a vida?

A psicoterapia nos faz olhar para dentro de si e ver o que é verdadeiramente seu e do outro. Ela nos mostra que quando nos apegamos em demasia ao que o outro fala ou nos impõe, colocamos o poder do que somos em suas mãos, mas essa responsabilidade é somente nossa. Além disso, quando não dependemos do outro e deixamos nossa essência aparecer, sem constrangimentos e com a aceitação merecida, nos libertamos de qualquer devo ser ou devo agir, pelo se importar da questão: o que será que vão falar ou pensar? Nos amamos mais e o sentimento de culpa é anulado e consequentemente há um aumento da autocompaixão com os nossos próprios erros, não nos levamos tão a sério e podemos como uma criança, brincar com nossas próprias fraquezas, porque temos a certeza que podemos nos recriar sempre.

 

* Por Juliana Bessa Ramos, psicóloga clínica, CRP 06/91940. Atendimento de adolescentes, adultos, idosos, casais e famílias. Especialista em psicoterapia junguiana, IJEP-SP.Consultórios em Vila Mariana SP e São Caetano Do Sul. Contato: julianapsicoramos@gmail.com

 

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Desvendando 10 mitos sobre psicoterapia!!

Toda psicoterapia é igual

Existem diferentes abordagens psicoterápicas, cada qual, com sua própria teoria e metodologia. Eu, por exemplo, trabalho com a psicologia junguiana, na qual, cliente e psicoterapeuta trabalham juntos na busca do equilíbrio psíquico, que se diferencia da psicanálise, na qual, o terapeuta assume uma posição neutra diante o paciente, realizando algumas interpretações quando este acha necessário. Como também se diferencia de outros tipos de psicoterapias,( comportamental, cognitivo-comportamental, humanistas, existencialistas e etc), cada qual com sua própria teoria e metodologia.  Procure saber qual o tipo de psicoterapia  que você mais se identifica.

Psicoterapeuta é médico

Psicoterapeuta não é médico e não pode receitar medicamento. Como também não tem “receitas e formulas” prontas para resolução de problemas e de como se viver melhor.

Psicoterapeuta é Profeta

Psicoterapeuta não tem o poder de adivinhar e muito menos de ler mentes, ele somente irá poder ter conhecimento do que é falado, por isso, se esforce ao máximo para explicar com detalhes sobre si e suas possíveis dificuldades e problemas

Psicoterapeuta possui todas as respostas para a sua vida

O psicoterapeuta não dá conselhos e não faz obrigações. O psicoterapeuta Junguiano irá te direcionar para a busca da compreensão de si mesmo, circunstâncias e situações e apesar de revelar que algumas circunstâncias são consequência de escolhas feitas,  ele nunca faz escolhas por você, as responsabilidades pelas suas escolhas serão sempre suas.

Psicoterapia é bate-papo

A psicoterapia funciona através de um processo que funciona por um trabalho em conjunto que será estabelecido por você e por um profissional da psicologia. Por mais que você não veja ou não entenda, este profissional estará munido de ferramentas que serão utilizadas em conjunto por vocês. Dessa maneira, as sessões de psicoterapia, não é uma oportunidade de desabafo ou de ter uma conversa com alguém, que poderia ser igual à que você tem com um amigo, familiar e etc.

A Psicoterapia sempre é um processo longo

O tempo do processo da Psicoterapia Junguiana, sempre será relativo, pois levará em conta, o objetivo da busca da análise, que pode ser por uma resolução de um problema imediato ou autoconhecimento, o tipo de problema trazido e o seu nível de complexidade, a pessoa, que possui sua própria individualidade e seu próprio tempo e o nível de esforços despendido entre o psicoterapeuta e o cliente.

Psicoterapia é algo sempre monótono

A psicoterapia pode variar o seu ritmo durante o seu processo, alguns momentos ela poderá aparecer ameaçadora diante tantas informações e conteúdos trazidos à tona, em outros, pode parecer que “nada acontece” e talvez você se sinta tentado a abandonar o processo. Não desanime!! Persevere!! Pois apesar de achar que não há nenhuma descoberta nova, o processo está sendo realizado e ele em si mesmo é psicoterapêutico.

Só pessoas loucas, problemáticas e fracas procuram a psicoterapia.

Ao contrário, precisa ser forte e corajoso para enfrentar os seus próprios conteúdos, elaborar sofrimentos, que muitas vezes são reprimidos e traumáticos. Além disso, cada vez mais, as pessoas desejam se conhecer melhor e criar novas possibilidades na resolução de suas vidas!!

Psicólogos só querem saber da sua infância

O analista junguiano está mais focado no seu momento atual, do que no seu passado e na sua infância. Apesar de algumas situações, ele sentir a necessidade de saber sobre o seu passado e até mesmo sua infância, essa não é uma regra geral.

A psicologia está relacionada ao espiritismo.

A psicologia é uma ciência que adveio da Filosofia e que não se liga ao espiritismo e a nenhuma religião, seja ela espírita, católica, protestante e etc, independente do tipo da psicoterapia, destacando também a Psicoterapia Junguiana, que possui sua própria metodologia e teoria.

 

* Por Juliana Bessa Ramos, psicóloga clínica, CRP 06/91940. Atendimento de adolescentes, adultos, idosos, casais e famílias. Especialista em psicoterapia junguiana, IJEP-SP.Consultórios em Vila Mariana SP e São Caetano Do Sul. Contato: julianapsicoramos@gmail.com

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O Outro como reflexo da sombra

sombra como espelho

A convivência com o outro é constante em nossas vidas e o outro pode ser sempre um desafio, porque ele pode te apresentar inúmeras qualidades, mas ele sempre virá carregado de inúmeros defeitos.

O outro de quem me refiro pode ser sua mãe, seu pai, o parceiro de vida, o sócio, o melhor amigo e o inimigo declarado, mas também pode ser, a mocinha do café e até o rapaz que divide o banco do ônibus contigo. Quero dizer que o outro são todas as pessoas que passam por você, não existindo forma de fugir de sua presença, porque nossas vidas se esbarram e até se entrelaçam.

Agora nesse exato momento muitos podem pensar:  sou sozinho, nunca precisei do outro e nunca vou precisar. Pois eu tenho que te dizer que você sempre precisou do outro e sempre irá precisar, de uma forma mais direta ou não.

Desde do nascimento é o outro que nos acolhe e passa a ser uma constante em nossas vidas, nós somos moldados a partir dele, com ele aprendemos o que é bom e ruim, o que deve ser exaltado e o que deve ser escondido, como também, a habilidade de se relacionar surge com a experiência de nossa interação

Para muitas pessoas se relacionar é parte da sua natureza, mas existem aquelas que sentem dificuldade de relacionamento e para elas é um desafio muito grande, muitas vezes se tornando um grande sofrimento.

É com base nesse último grupo de pessoas que quero falar e o que tenho para te afirmar não é nada prazeroso, mas sim, algo que realmente faz o ego se enfurecer. A afirmação é a seguinte: Na maioria das vezes o outro é a sua sombra! É isso mesmo, talvez o outro seja você!

O que é sombra?

Sombra é um termo que Jung utilizou para conceituar tudo aquilo que esta reprimido em nós mesmos e que a personalidade desconhece. É o que se encontra obscurecido, renegado e escondido em nós. Ela também pode ter aspectos positivos reprimidos e que talvez não encontraram estímulos suficientes para se apresentarem a consciência.

O fato é que todos nós temos conteúdos desejados e indesejados. É importante nos conscientizarmos e assimilarmos esses conteúdos. Quanto mais perfeito queremos aparecer ao outro e a si mesmo, mais sofreremos com a repressão da nossa sombra. Não estou dizendo que devemos nos mostrar por inteiro para o mundo, mas devemos nos encarar como somos!

O Outro e eu

Jung diz: “ Tudo o que nos irrita nos outros pode nos levar a um conhecimento de nós mesmos”.

Muitas vezes o outro é uma forma de nos revelar isso. Reflita comigo: Por que aquela pessoa te incomoda tanto? Por que você odeia tanto suas características, sejam elas apresentadas como: inveja, ciúmes, falsidade, mentira, arrogância e etc?

Dessa maneira, muitas vezes aqueles comportamentos e sentimentos do outro que você abomina, está guardado dentro de si. Mas para chegar a esse pensamento, enfrentamos um grande temor de encontrarmos com nossas trevas e uma frustração de percebermos que não temos somente o lado que queremos ser reconhecidos.

No entanto, se o seu relacionamento com o outro te aprisiona e te faz sofrer, lance um olhar para si profundamente e amorosamente, sem culpa ou condenação e se perceba por inteiro. É necessário ter ousadia e muita coragem para nos tornarmos autênticos, únicos e sairmos da mediocridade da ilusão que somos somente aquilo que desejamos

 

* Por Juliana Bessa Ramos, psicóloga clínica, CRP 06/91940. Atendimento de adolescentes, adultos, idosos, casais e famílias. Especialista em psicoterapia junguiana, IJEP-SP.Consultórios em Vila Mariana SP e São Caetano Do Sul. Contato: julianapsicoramos@gmail.com

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A desmistificação pai-bebê

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Como o primeiro tema do blog foi a desmistificação da relação mãe-bebê, decidi dar continuidade ao tema com enfoque na relação pai-bebê, pois eles também podem ter dificuldades de assimilação dos seus sentimentos.

Com a mudança do papel social da mulher no que diz respeito às suas responsabilidades na esfera familiar e profissional, houve uma mudança também nas responsabilidades sociais do homem, que se mostra mais afetuoso e envolvido na forma de lidar com os seus filhos. Apesar de atualmente o pai estar mais presente na relação com o seu filho, muito pouco se fala sobre eles, a sociedade no seu senso comum ainda coloca o seu sentir a margem, possuindo uma nítida falta de atenção em relação aos seus aspectos emocionais.

Da gravidez ao pós-parto

O pai experiência seu bebê de forma diferente do que a mãe, pois ele o sente de forma indireta, enquanto a mãe o sente diretamente. Com a notícia da gravidez, os pais podem demonstrar reações variadas, tais como stress, preocupações e ambivalência. Nos primeiros meses de gravidez os sinais físicos ainda não são visíveis e estes ainda não encaram o bebê como uma realidade, sendo importante que a mãe assuma o papel de facilitadora, como ponte para esse processo de ligação afetiva.  A partir do terceiro trimestre, mais próximo ao nascimento, os pais se aproximam mais da realidade e se tornam mais participativo e envolvidos com a chegada do bebê.

Para falar do pós-parto, tenho que enfatizar que existem poucos estudos que falam sobre a relação pai-bebê e os poucos estudos existentes não há um consenso ainda sobre como essa ligação afetiva se realiza. Porém estudos mais atualizados hipotetizam que se realiza da mesma forma que a mãe, com as mesmas excitações e ansiedades, mas devemos salientar que as mudanças hormonais que ocorrem pela mãe tornam a mais sensível, podendo influenciar de forma direta no estabelecimento dessa ligação.

Sentimentos mais comuns

Pesquisas científicas em psicologia dizem que é comum que alguns pais logo após o nascimento, tenham quase as mesmas sensações que a mãe, de alívio por ter dado certo o parto, gratidão pelo bebê estar bem e êxtase por ter essa aproximação direta com o filho, pois até então o sentia indiretamente, possuindo o desejo de ter uma participação mais ativa com ele.

Em outros, os sintomas dos pais são de apreensão, exclusão e preocupação, pois através da confrontação das responsabilidades que deverão ser assumidas pela chegada de um filho, os pais poderão obter inúmeros sentimentos como: ansiedade, pela preocupação de como a família irá se estabelecer financeiramente com a chegada de um bebê, angustia, em se sentir com maiores responsabilidades com a família, exclusão, visto que a mulher canaliza toda atenção para o filho e para si, rejeição, pela possível diminuição da frequência sexual,  raiva, por sentir que o bebê está lhe roubando tempo e lhe privando de coisas importantes, inutilidade, por não se sentir integrado aos cuidados com o bebê, como também, desinteresse, por acharem que os problemas relativos aos cuidados com o filho são de responsabilidade somente da mulher.

Vinculação pai-bebê

Estudos relacionados ao tema salienta que a iniciação da amamentação é o momento em que o pai é totalmente excluído da relação mãe-bebê, podendo surgir daí o sentimento de rejeição e exclusão, momento em que a mãe está totalmente voltada para o bebê. O desmame seria um marco na introdução paterna, com a introdução de alimentos sólidos o pai poderá também assumir a função nutridora e ter um pouco mais da atenção da mãe. A medida em que o bebê se desenvolve ele adquire os comportamentos de sorrir, vocalizar e seguir visualmente os pais e se fortalece ainda mais esse processo de vinculação.

Muitas vezes o pai pode ter dificuldades de ser parte integrante da tríade pai-mãe-bebê, desde o início do nascimento. Dessa forma é importante que a mãe desde a gravidez assuma à função de ser uma facilitadora nesse processo de interação para que essa tríade se estabeleça, fazendo com que o pai acompanhe todas as fases da gravidez, não centrando todos os cuidados para si mesma após o nascimento, mas auxiliando esse pai a fazer parte dos cuidados com o bebê, como também da nova rotina familiar.

As diferentes formas de sentir a paternidade

Como no sentir das mães, o que foi relatado aqui é o que existe de mais comum no sentir dos pais, como também poderá existir outras formas de sentir a paternidade através da individualidade e significação de cada um, não existindo a forma correta.

Ao contrário do tema maternidade, existem poucos estudos sobre a temática da paternidade, sendo que o processo de vinculação pai-bebê também é importante na subsequente vida adulta do filho. A figura do pai pode ser representada por qualquer pessoa que assuma essa função, podendo ser um tio, irmão, tia e até mesmo a mãe que assume a função de mãe e pai, porém me detenho aqui na própria figura tradicional paterna.

A interação pai-bebê irá trazer aspectos importantes na psique do bebê, mesmo que esses não estejam de fácil acesso para a memória na fase adulta desse subsequente bebê, essa interação poderá lhe trazer modificações positivas ou negativas, por esse motivo é de essencial importância que o bebê desde do princípio se sinta amado. O amor é sentido pelo recém-nascido através dos sentidos: toque, tom de voz, expressão do rosto e outros, sendo o cuidado e o aconchego a síntese da expressão desse amor.

O acompanhamento psicoterapêutico dos aspectos emocionais dos pais, durante e depois da gravidez são uma influência positiva na redução do seu possível stress, pela compreensão do seu sentir, como também pela aceitação dos sentimentos de receios e anseios, pelo entender dos seus mecanismos de defesa e consequente construção de sua resiliência.

 

* Por Juliana Bessa Ramos, psicóloga clínica, CRP 06/91940. Atendimento de adolescentes, adultos, idosos, casais e famílias. Especialista em psicoterapia junguiana, IJEP-SP.Consultórios em Vila Mariana SP e São Caetano Do Sul. Contato: julianapsicoramos@gmail.com

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A desmistificação da relação mãe-bebê

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Escolho a desmistificação da relação mãe-bebê como o meu primeiro tema do blog, porque além de ser o tema que permeia meu projeto de especialização Junguiana, tenho ouvido também muitos relatos de mães sobre seus sentimentos em relação ao recém-nascido e percebo a dificuldade de assimilar esses sentimentos, bem como a vergonha, culpa e até a negação por tê-los. Tenho a intenção de fazer uma reflexão sobre as possíveis dificuldades emocionais que mães de recém-nascidos podem ter e espero ajudar as leitoras mamães, como também as pessoas que vivem dessa mesma experiência conjuntamente, pois é importante ressaltar que quando uma mulher fica grávida, um contexto também fica, que pode ser familiar ou não.

O significado da maternidade na atualidade dita quase em afirmativa comum é de que representa a sublimidade dos sentimentos de pureza e elação do estado do que é ser mãe. No entanto, grande parte das mulheres não conseguem obter esse estado de sublimidade e se frustram na tentativa constante de afogar seus próprios sentimentos que lhe são aversivos.

Da gravidez ao pós-parto

Ao longo de toda gravidez a mãe experiência seu bebê na medida que ele se desenvolve e reage dentro do seu corpo.  A medida que aumenta sua reação, sua atividade dá à mãe uma resposta que lhe faz idealizar, criando fantasias e expectativas sobre este.  Nos últimos meses de gravidez, o feto responderá a muitos estímulos diferentes, administrados externamente ao útero, pois ele já vê, ouve e responde ao toque. A partir daí a mãe aumentará suas expectativas e ansiedade perante o seu bebê, pois o sente como algo cada vez mais concreto e real.

O pós-parto vem carregado de excitação, proporcional à ansiedade vivida na gravidez. As emoções da mãe são intensas e variadas, se sentindo vulnerável nos primeiros dias e com sentimentos alternados.

Sentimentos mais comuns

Pesquisas científicas em psicologia dizem que é comum que algumas mães se sintam completamente alienadas nesta ocasião. A excitação, o medo, o alívio, a ansiedade e a elação tomam conta dessas mães e os sentimentos predominantes podem ser de alívio por terem conseguido enfrentar esta situação, gratidão pelo fato do bebê ter nascido, êxtase por tê-lo e um grandioso sentimento de querer criar aquela criatura pequenina e dependente.

Em outras os sintomas das mães são de depressão e apreensão, pois através do choro do bebê as mães poderão obter inúmeros sentimentos como:  pena, estimulando a necessidade de cuidar dele, de raiva de si própria pelo sentimento de incapacidade de satisfazer as suas necessidades, de raiva do bebê por senti-lo como um ingrato, insatisfeito e insaciável, sugando-a e esgotando-a e de ressentimento por sentir que o bebê lhe está roubando tempo e privando-a de coisas importantes.

Devo deixar aqui um adendo, que esses sentimentos não se submetem ao controle dessas mães e que devem respeito e até mesmo compreensão.

Vinculação mãe-bebê

A falta de preparo biológico do bebê faz com que essa fase se prolongue. Nas primeiras semanas o bebê não consegue distinguir o que é externo e o que é interno nem consegue fazer a diferença entre si mesmo e o mundo a sua volta. O aspecto natural dessa fase é o processo de vinculação mãe- bebê, quando a mãe passa a conhecer o seu bebê, como os seus choros e seus desejos (fome, sede e outros). Porém, para algumas mães essa fase nunca se inicia, pois, aqueles mesmos sentimentos de depressão e angustia atingiram grande intensidade. Por algum gatilho, como por exemplo um sentimento de inadaptabilidade do papel de ser mãe, pensamentos de incapacidade e inúmeros outros fatores, essas mães não conseguem assimilar esses sentimentos e se voltam para o seu mundo interior e deixam o seu mundo externo, incluindo o bebê. O que deve ser encarado com sensibilidade e empatia para quem está a sua volta, pois esse é um fator marcante que pode representar uma doença séria que é a depressão pós-parto.

As diferentes formas de sentir a maternidade

Existem diversas possibilidades de sentir a maternidade e minha intenção é a de refletirmos que diante tantas formas de sentir, não existe aquela que seja a correta. O que relatei foi o que é de mais comum as mulheres em estudos baseados na psicologia e que pode haver outras significações da mesma, que também não seria correta ou errada, seria somente mais uma significação.

É de extrema importância para as mães terem o conhecimento que o que elas sentem não é anormal ou condenatório, mas sim, faz parte da maternidade, sendo que cada mulher sentirá de uma forma específica. Não existe uma forma única de senti-la, pois ela é construída aos poucos, junto com o vínculo mãe-bebê.

Se existe uma dificuldade maior nesse sentido, se faz necessário à procura de um psicoterapeuta, que lhe poderá ajudar a enxergar a situação com maior clareza e naturalidade. Em casos muito severos a atuação conjunta psicólogo e psiquiatra é a ideal, pois o psiquiatra atuará no metabolismo e o psicólogo irá atuar no significado mais dolorido da maternidade para esta mulher.

Além disso é durante a gravidez que se iniciam a formação do vínculo mãe-bebê e a obtenção de diversas mudanças. É nessa fase que começa a prevenção, na qual, um atendimento multiprofissional seria o ideal, visando não só a saúde física como também a emocional.

 

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